segunda-feira, 30 de março de 2009

"sentires"

Num dia de calor meu corpo, pele e pelos arrepiam ao toque teu. Calor que vem da alma e sussurro meus. Sobe pelos poros, exalam a fragrância mais ínfima de desejos. Ao toque teu sou eu na constância de um suspiro. Natureza bruta. Encarna o cosmos em lugar distante, extraindo o mais puro mel. Arco com meu , tão teu solene instante. Quero gritos de pavor, solo tenro e turvo querer. Não sou eu, mas tu que extravia minhas forças, alarga meus instintos, me seca.

Dias cinzas

Todos os dias são cinzas
Dias eternos que recobrem minha cabeça
Desgraça de dias
Defeito meu de existir, dor que me rompe as entranhas
Pareço ter em mim
marca de dias cinzas
Fardo pesado que carrego arrastado.
Infeliz Deus que em hora cinza me fez
Condenada por existir
Todos os males me desejam
E meus dias cinzas eternos, intensos, algozes
Me forço a sorrir
Medo de contaminar o outro com meus dias cinzas
Eu, desgraça tua.

duo

O silêncio. Xiiiiiii!!!!!
Olhos se entendem
Corpo fala.
No ténue toque, a pele arrepiada.
Exala a essência do desejo
Corrompe vontades e desesperos.
Salta a fronteira do improvável
Revela som inconfessável.
É no silêncio. Xiiiiiii!!!!!
Que o entendimento apavora
confessa a alma alheia
que o som nasce agora.

terça-feira, 24 de março de 2009

Apenas um dia (em video)

domingo, 22 de março de 2009

brincadeira de criança

Um outono
Me vai verão
de minha Prima Vera
pego a mão
Se inverno sou
que queres de mim?
Verão também
que me tomo por sim

Um outro ou- tono me vem
prima-vera, verás também.

sem titulo

É madrugada
em minha alcova ombros largos
De eleive me falas
No impulso esbarro
Pequena flor, frágil e fadigada
Longa noite, azul, enluarada
Minha argúria, teu lamento
Teu amor, meu tormento.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mundo meu

Meu mundo é pequeno e turvo
Não é pra se entender
Pouso no centro

Não quero sentidos, luto contra
já atirei para matar e morri
Mas sou fênix por maldição
Desejo voar mas me contam as asas
pouso no centro

Já gritei e não pude ouvir
como só que sou, busco refugio
Este meu mundo turvo é pequeno
não queira entender
pouse no centro

metamorfose

Casulo ou borboleta?
Defines tu com a certeza de um sábio
Estou no meio enquanto olhas e apontas
Mas não posso ser casulo, não estou entre amarras
Não posso ter borboleta, não consigo voar
E tu me defines sempre:
Casulo ou borboleta

simulo

Puro dejavú. Basta!
Tente acorrentar os sonhos do passarinho
Os pés no chão com raízes rasas
Só preso enquanto quer.
Não é pra chorar lágrimas disfarçadas
Dejavú fingido, vivendo simulacro.
Enquanto esse calo machuca forte
doses de morfina
engula seco o que não te apetece

sem

um lamento insurge
outra vida me leva
meus caminhos tortos e bons
quem de mim tem sorriso
espera o dia amanhecer

castigada pela aurora
sorrisos soltos sem alegria
querendo esta vida infame
meu lamento resurge diário
poeira em tudo

vestes rasgadas, me dispo
violetas nem sempre são azuis
teu sorriso me faz amarela
no meio de todas as cores estou eu

é poema sem poética

já vi que me vinhas contente
e contente aqui estou eu
meu lamento se cala
num bom castigo suave

quinta-feira, 5 de março de 2009

convite

Tomo para mim a violência do teu sexo
Amordaço meu grito de prazer
e me tomas intenso.
Disponho meu corpo a teu bel prazer
Toco-me com desejo de pequenas mortes
E quero sexo, corpo, suor teu.